quinta-feira, fevereiro 07, 2008

#11 - Fast food nation, de Richard Linklater


Linklater é um dos cineastas mais polivalentes da atualidade. Passeia com facilidade por diversos gêneros sem cair em clichês ou mesmices, seja fazendo romance, ficção-científica, animação, comédia ou, como no caso de Fast food nation, um drama contundente.

O título sugere um belo documentário. Porém, trata-se de uma obra ficcional baseada em um livro homônimo, não-ficcional, que usa como cenário uma rede de fast food para denunciar uma série de contradições e mazelas de uma sociedade que aos poucos se consome. Três núcleos distintos, porém interligados, são abordados: os ricos empresários donos de uma cadeia de restaurantes, com sua capacidade de abstração aritmética; jovens de classe média que trabalham nesses restaurantes, incapazes de vislumbrar um futuro além da caixa registradora; e imigrantes ilegais que labutam penosamente no abate bovino, aceitando condições extremas e insalubres por um punhado de dólares.

Tudo começa quando um alto executivo da rede de lanchonetes Mickey's, Don Anderson (o ótimo Greg Kinnear), se vê às voltas com um problema que ameaça o carro-chefe da empresa: a carne do sanduíche Big One está contaminada.

Com um argumento desses, ficaria muito fácil fazer mais do mesmo. Talvez por isso mesmo, Linklater tenha optado por uma obra ficcional ao invés de um cinema-denúncia que cairia fatalmente em lugar comum. Provando ser muito talentoso, o diretor cria climas, tensões e um retrato pungente de toda uma sociedade que transpõe a mera finalidade do fast food. Torna hambúrgueres figuras iconoclásticas e vai perdendo a capacidade de enxergar a cadeia humana que existe por trás de um simples menu.

Catalina Sandino Moreno, uma das integrantes do núcleo dos imigrantes ilegais, dá um show de interpretação, construindo uma personagem que tem seu ápice nos dez fortes minutos finais - em uma cena de carga dramática espetacular. Acompanhada de trilha sonora caprichada e excelentes diálogos, como sempre.

Prova de que Linklater é realmente um bom diretor é o fato da presença de Avril Lavigne no elenco não afetar o resultado final do filme.

8 comentários:

Debora Hegedus disse...

Eu assisti no Noitão de cinema do HSBC há alguns meses e gostei bastante. Acho que é mais verossimil, inteligente e abrangente que o Supersizeme (é assim o nome? esqueci) que parece as vezes meio exagerado.
Bacci.

Felipe Nobrega disse...

Acho um filme obrigatório de se passar em escolas, pode parecer clichê isso, mas é um filme desse tipo. É critico na medida certa, sem ser chato, intelectualóide, metido... Incrivelmente acho a melhor presença a de Bruce Willis, que tem as melhores falas do filme.

Kamila disse...

Ainda não conferi esse filme. Não consegui encontrá-lo disponível na locadora que frequento.

Gosto do Linklater, mas as opiniões sobre "Nação Fast Food" são tão contraditórias que eu nem sei direito o que esperar do filme.

Bom final de semana!

Vulgo Dudu disse...

Debora, Supersizeme tem aquela linguagem um pouco sensacionalista e muito parcial. É bom, mas fica raso. Linklater é talentoso. No filme dele não há excessos.

Felipe, acho que é isso mesmo que você disse: é crítico sem ser chato. Mérito da direção, total. Realmente, Bruce Willis devorando aquele hamburguer é sensacional!

Kamila, tire suas conclusões. Ainda que você não goste, vai admitir que é bem feito!

Bjs e abs!

Ramon Scheidemantel disse...

Pois é, o lance social ficou bem mais forte do que a questão mercadológica do sistema fast food. Realmente, a abordagem é difereciada. Só que o filme foi vendido de outro jeito. Não gostei do resultado em si, mas dizer que é ruim também é exagero.

Vulgo Dudu disse...

Ramon, eu acho que o filme podia ser muito piegas e conservador, não fosse a habilidade do Linklater. Achei o discurso enxuto e preciso.

Abs!

Ramon Scheidemantel disse...

Blz! Te entendo. É que eu esperava algo diferente, e não consegui "comprar" o filme.

A Especialista disse...

esse eu TENHO que assistir!!

bj's