quarta-feira, janeiro 09, 2008

#3 - The notorious Bettie Page, de Mary Harron


Nossos avôs provavelmente devem seus momentos de onanismo à Bettie Page, uma morena de curvas arredondadas, salto agulha, meia arrastão, chicote em punho, atitude sadomasoquista e aquela carinha de virgem de um lado, safada do outro. Era a década de 50, e a pin-up mais famosa do mundo enfrentava as cortes estadunidenses, acusada de deturpar a mente de jovens por todo o país.

Assim começa esse filme sobre a vida da moçoila que não tinha o menor pudor em ficar nua diante das câmeras, nem de se deixar fotografar amarrada ou amordaçada. O roteiro volta no tempo e mostra como Page encarava os valores religiosos de sua família conservadora e os constantes galanteios que recebia. Acompanhamos os primeiros trabalhos fotográficos, a tentativa de emplacar uma carreira como atriz e as desilusões pelo tortuoso caminho de um símbolo sexual.

O problema é que tudo isso é mostrado muito rapidamente. A diretora Mary Harron perde o pulso e acaba acelerando uma cronologia de fatos que poderia ser mais bem explorada. A montagem e a edição não exploram cenas que poderiam render bons momentos cênicos. A maior parte dos percalços que atingiram Page ficam subentendidos em cenas curtas, herméticas, como se o espectador fosse poupado de presenciar os dramas pessoais da pin-up.

Porém, justiça seja feita à direção de arte, ao figurino e à Gretchen Mol, de cabelos tingidos, que encarna uma Bettie Page extremamente sensual e verossímil. A fotografia em preto e branco, sem ajustes ou retoques, ajuda a recriar o clima dos anos 50.

Dizem que Scorsese também estava realizando um filme sobre a vida de Page. Porém, abriu mão do projeto depois que seu "O Aviador" emplacou. Sei não, mas acho que seria uma biografia bem mais contundente.

7 comentários:

Museu do Cinema disse...

Sem duvida Dudu, nas mãos do Scorsese os contornos seriam únicos.

Eu tive interesse em ver esse filme, assim que começaram as filmagens, depois esfriaram e achei que foi a fraca produção.

Kamila disse...

Dudu, me lembro que, quando esse filme foi lançado, colocaram o nome da Gretchen Mol entre as possíveis indicadas ao Oscar de Melhor Atriz, mas nem lembrada ela foi.

Curiosidade: esse filme já foi lançado em DVD por aqui?

Vulgo Dudu disse...

Cassiano, como escrevi aí, montagem, edição e direção são muito fracas. Parece até que eu vi um compacto, e não um longa.

Kamila, O filme nem foi lançado em DVD ainda. Eu baixei usando o Bit Comet. Mas nem acho que vale a pena...

Bj e abs!

Felipe Nobrega disse...

Vulgu Dudu, já entreguei o quadro e consegui pagar a fiança rsrsrsr.
quanto ao Foucault... já lesse o Microfísica?

Ramon Scheidemantel disse...

Obrigado pela dica!
Lendo sua pequena descrição, no primeiro parágrafo, já é possível entender como uma narrativa rápida demais perde os momentos dramáticos dessa biografia.
Difícil encontrar o filme por aqui, mas se encontrar também o conferirei.

Surfista disse...

O poster desse filme tem um estilo Kill Bill. As letras sólidas, o amarelo gema e a moça no centro. É impressão minha?

Vulgo Dudu disse...

Ramon, como eu disse aí, tinha vezes que parecia estar assistindo a um compacto...

Surfista, é a sua impressão, e ela procede. Parece mesmo! Hahahaha!

Abs!