segunda-feira, janeiro 07, 2008

#2 - The Harlem Globetrotters: The Team That Changed the World, de Michael Sear e Joseph Sharman


A NBA ajudou, sem dúvida alguma, a popularizar o esporte da bola laranja pelo mundo. Trata-se do melhor basquete jogado no planeta - coisa linda de deus. Conseqüência direta: estrangeiros na liga estadunidense, seleções do mundo todo fortemente competitivas e Argentina campeã olímpica. E quem ajudou a NBA a ganhar status de espetáculo foram os jogadores do Harlem Globetrotters.


É incrível como é fácil identificar quais produções foram feitas estritamente para TV, caso deste documentário sobre "o time que mudou o mundo". Não deveria ser assim, mas funciona desse jeito: edição, videografismo e som perfeitos. Conteúdo, direção, montagem e , o principal, valor documentacional, reprováveis.

O filme conta com boas imagens de arquivo de jogos na década de 40 e 50 e excelentes personagens dando depoimentos meia-boca demais. Samuel L. Jackson, Bill Cosby e até o candidato democrata popstar do momento, Barak Obama, ganham voz ativa para falar da paixão pelo basquete. Mas é tudo muito raso.

A discussão sobre segregação racial e o fato dos Globetrotters terem sido os primeiros negros a jogar na NBA estão lá - e consomem até grande parte do documentário. Porém, segundos depois, lá estão os comunistas, os alemães do pós-guerra e demais estrangeiros, todos em um grande caldeirão xenofóbico, ameaçando a tal democracia estadunidense, representada pelos jogadores que, até pouco tempo, segundo o próprio doc, eram xingados quando entravam nas quadras de seu próprio país. Dicotômico demais. Era inevitável que uma produção desse tipo, feita com provincianismo, não caísse num discurso político que já virou marca registrada dos nossos amigos norte-americanos.

Ora bolas, mas não está escrito ali no subtítulo que eles mudaram o mundo? De fato mudaram. Não o mundo, mas a maneira como esse mundo passou a ver, jogar e consumir basquete. Mas esqueceram de incluir essa parte no roteiro.

Fora tudo isso, se você, assim como eu, é apaixonado por basquete, vale a pena somente para ver alguns lances geniais e divertidos. Nada demais. Não pesquisei, mas acredito que existam documentários melhores sobre o mesmo assunto. Documentários sobre esportes.

6 comentários:

Kamila disse...

Dudu, mas o time da Argentina campeão olímpico era todo formado por jogadores formados em ligas européias. O Ginóbili foi o primeiro a emigrar para a NBA, sendo seguido por Oberto, Nocioni e, finalmente, o grande Scola. :-)

E os Harlem Globettroters são puro SHOW!!! Não sabia dessa história social por trás do grupo e fiquei interessada no documentário.

Como fã de basquete, tentarei conferir.

Vulgo Dudu disse...

Kamila, sim, com certeza, a maioria do time da Argentina veio da liga européia. Mas o próprio fortalecimento dessa liga, bem como a popularização do basquete ao redor do mundo, sem dúvida alguma, teve um belo empurrão da NBA. Tratava-se de uma estratégia expansionista, puro marketing, para escoar a produção mercadológica e manter o alto padrão de salários e cotas de transmissão. Pagaram um preço caro por essa internacionalização: a perda da hegemonia no esporte - para o nosso deleite. Eu cobri o basquete na época das olimpíadas de Atenas, e foi sensacional!

Se você é louca por basquete, que nem eu, não perca tempo. Veja "Hoop Dreams", um dos melhores documentários que eu já vi. E o melhor: inteiramente sobre basquete!

Bjs.

Museu do Cinema disse...

Puts, com 3 anos de idade vi uma apresentação dos Harlem Globetrotters, é sensacional, ficou na minha mente até hoje.

Kamila disse...

Poxa, Dudu, que sorte, hein??? Cobrir o esporte em Atenas deve ter sido inesquecível. E isso é verdade: os norte-americanos pagaram um preço caro por terem aberto a NBA aos jogadores estrangeiros porque eles perderam mesmo a hegemonia que possuíam no esporte. Mas, algo me diz que, em Pequim, a coisa será diferente e veremos os norte-americanos de volta ao topo porque eles voltaram a encarar esse tipo de torneio com seriedade. Existe planejamento, preparação e comprometimento por parte dos jogadores que agora fazem parte da seleção norte-americana.

Anotei o nome do outro documentário aqui. Espero que seja bem fácil encontrá-lo.

Vulgo Dudu disse...

Kamila, ops, melhor deixar claro aqui para não pensarem que eu tô querendo tirar onda.. hahaha... Na verdade, eu cobri daqui do Brasil! Quem me dera ter ido a Atenas... Só a equipe da TV que foi. Porém, pude ver TODOS os jogos, masculino e feminino, e ainda podia brincar, nos intervalos, de fazer clipes com enterradas, tocos etc. Foi muito bacana!

Então, veja "Hoop Dreams" e vamos trocar mais figurinhas sobre basquete!

I love this game!

Bjs!

Kamila disse...

Ah, Dudu, mas, mesmo assim, deve ter sido uma experiência legal. Nas Olimpíadas de Atenas acompanhei todos os jogos da seleção feminina e alguns do torneio masculino, mas fiquei de olho mesmo na fase final, a partir das quartas-de-final.

Beijos.