quinta-feira, dezembro 20, 2007

#90 - Planet terror, de Robert Rodriguez

O problema com a maioria dos filmes de zumbis é que eles se levam a sério demais. Não os zumbis, mas os filmes. Pode até dar medo, ou fazer com que você esconda o rosto por detrás de uma almofada, ou deixe os dedos caírem levemente sobre os olhos enquanto finge estar coçando a testa. Em "Planet Terror", nada é levado a sério, e esse é o grande trunfo do diretor Robert Rodriguez.


A premissa é clássica: um gás biológico é lançado sobre uma cidade e transforma os moradores em espécies de zumbis deformados que se alimentam de tripas humanas. Previsível. Porém, o recheio do roteiro é que dá o tom diferencial que Rodriguez busca em todos os seus filmes. São milhares e milhares de intermináveis clichês de filmes de zumbis, mas todos recheados com diálogos insólitos, ações inesperadas e desfechos inverossímeis. Marca registrada do diretor.

Para fazer com que o espectador entre mais ainda no clima, os fotogramas foram desgastados propositalmente para dar a sensação de se estar realmente diante de uma pérola do cinema trash, exatamente como era feito no começo da década de 70 - o que pode parecer um retrocesso na técnica aos mais desavisados. Logo, montagem, fotografia e edição são experimentações cinematográficas que tornam a produção de Rodriguez ainda mais atraente. Fica nítida a habilidade do diretor em fazer e reinventar cinema.

Talvez o único problema de "Planet Terror" seja a quantidade absurda de sangue, gosmas e restos putrefatos dos pobres personagens. Algumas cenas e as maquiagens são completamente toscas, mas é um pouco incômodo ter que agüentar quase duas horas de exploitation puro. Precisa ter um pouco de estômago. Além dos que você vai ver na tela.

O destaque, indubitavelmente, fica por conta das cenas com a bela Rose McGowan, que interpreta Cherry Darling, a tal dançarina que tem no lugar da perna amputada um fuzil. Suas cenas são realmente inesquecíveis.

Uma grande, e nojenta, mais nojenta do que grande, inclusive, homenagem ao cinema trash.

6 comentários:

Kamila disse...

Dudu, já eu achei a performance de Rose McGowan sofrível. :-)

Bom, acho que o experimento da dupla Rodriguez e Tarantino é mais do que válido.

Achei interessante a tentativa de recriar o clima dos filmes, com os fotogramas gastos, falsos trailers.

Mas, o que me incomodou mais no filme do Rodriguez foram os excessos. E eu acabei não entrando na brincadeira.

Bom final de semana!

Mendes disse...

não sou muito fã de rodrigues, mas gosto de algumas coisas que ele faz

Rogerio disse...

Acabei de ver o filme Dudu. Concordo com tuas observações, poncordo com tuas observações, pricipalmente sobre os exageros.
Acho que a atmosfera do filme vai muito bem até sua metade. Depois disso, o mexcesso de explosões humanas acaba ficando corriqueiro, e perde a graça. Acho que faltou pulso pra segurar um pouco as carnificinas, único pecado de Rodriguez.
No mais, a bela retratação do filme como na época dos primeiros filmes trash foi excelente!!

Surfista disse...

Quando li sobre o lançamento desse filme, fiquei louco para correr para o cinema e conferir. Esse tesão durou só alguns minutos. Tive aquela impressão de que seria "mais do mesmo". Enfim, deixei para ver em DVD. E olha que eu gosto do Rodriguez. Acho que ele só derrapou em "Era uma vez no oeste", a conclusão da trilogia do Mariachi.

Ah, também estou ansioso para ver a continuação de "SinCity", no qual ele vai adaptar novas histórias do Frank Miller com outro elenco estelar. Esse chicano deve ser muito gente fina, pois toda celebridade hollywoodiana paga para participar dos seus filmes, nem que seja uma pontinha (vide George Clooney).

Vulgo Dudu disse...

Kamila, realmente, os excessos foram o pecado do Rodriguez. Agora, cá pra nós, podiam produzir o "Machete", hein?

Mendes, se você não é fã do Rodriguez, mas curte uma proposta cinematográfica diferente, vai na fé!

Rogerio, é bem por aí mesmo. A idéia e a concepção estética são ótimas. Concordo plenamente com você: faltou pulso. No Rodriguez e nos seus zumbis também.

Dougra, ouvi falar sobre a continuação do "Sin City". Eu lembro quando do nosso desapontamento após a sessão de "Era uma vez no México". Acho que, depois de "Planet Terror", além do certo desapontamento cinematográfico, você também ficará com um certo desapontamento estomacal.

Obrigado a todos pelas visitas, comentários e troca de idéias!

Bjs e abs!

Surfista disse...

Rapaz, de tão ruim, ficou irado! Adorei os personagens (o médico frio e sanguinário, a go-go dancer comediante aleijada, o matador profissional secreto, a anestesista lésbica... todos) e os diálogos estapafúrdios que surgem.

As cenas nojentas nem me incomodaram tanto. Fiquei mais tenso com a anestesista de pulso quebrado.

Diálogo inesquecível:
CHERRY: Vou ser comediante.
EL WRAY: Você não é engraçada.
CHERRY: Mas as pessoas riem do que eu falo.
EL WRAY começa a rir.