quarta-feira, outubro 24, 2007

#77 - O tigre e a neve (La tigre e la neve), de Roberto Benigni


Eu queria perder a implicância com um ator que respeitava demais por antigas atuações. Roberto Benigni foi um dos protagonistas do meu filme preferido, "Down by law", de Jim Jarmusch. Do mesmo diretor, brilhou no maravilhoso "Uma noite sobre a Terra". E ainda realizou "O monstro", um filme muito divertido. Porém, desde "A vida é bela", que não é lá tão ruim assim, comecei a implicar com aquele jeito italo-verborrágico de atuar e com aquele certo traquejo emotivo demais em conduzir suas tramas. Na minha opinião, Benigni não deveria ter assumido o posto de diretor.

Porém, quando vi o anúncio de "O tigre e a neve", que tem título de filme oriental, resolvi dar uma segunda chance ao moço. Afinal, está destacada no cartaz a presença de Tom Waits - que também protagonizou o meu filme preferido, fez a trilha de várias produções de Jarmusch e gravou discos brilhantes com seu timbre rouco e inconfundível.

É, Roberto. Os tempos, de fato, mudaram...

Porém, a temática permanece a mesma que foi abordada em "A vida é bela". Aqui, um professor de poesia vai atrás de sua amada, ferida em um bombardeio em meio à guerra do Iraque, para tentar salvar sua vida. Ao longo do filme, metáforas, metáforas, metáforas e tanto lirismo que a tela chega a ficar melada. A guerra é novamente mostrada de um ponto de vista poético, com os conflitos da trama amenizados por números cômicos. E nessas passagens, engraçada mesmo é apenas uma na qual Benigni anda por um campo minado.

De resto, é aquilo de sempre. Desfecho mal resolvido, situações constrangedoramente emotivas e mais metáforas. Muitas metáforas. Inclusive, a implicação visual do título é lamentável.

E o Tom Waits só aparece no começo! E tocando uma só música.

5 comentários:

Daniel disse...

Fala, Dudu!

Desde que eu vi o "A vida é bela" que me incomoda esse jeito fanfarrão histriônico do Benigni. Não vi esse último dele, mas, pelo o que eu li, acho que o Benigni não mudou muito no meu conceito... rs

Abração!

Ramon Scheidemantel disse...

Eu adorei a Vida é Bela. Não acho o Benignini tão chato. Talvez depois de ler sua resenha e começar a analisar o tipo, é bem provável que comece a concordar. Porém, no momento ainda não o acho chato.
Gostei do trecho abaixo:
"Ao longo do filme, metáforas, metáforas, metáforas e tanto lirismo que a tela chega a ficar melada." hehehe!

Ainda não me deparei com o filme, mas se tiver oportunidade irei assistir.
Abraço!

Museu do Cinema disse...

Bom, eu achei esse filme simplesmente maravilhoso, o melhor do ano!

Contundo tenho que respeitar sua crítica.

Acho que o cinema do Roberto, é a essência do cinema italiano, exagerado, as vezes fantasioso, mas lindo, belo, e muito bem filmado!

Kamila disse...

Tenho trauma do Roberto Benigni desde 1999, quando ele ganhou vários Oscars... Acho que podemos dizer que ele é uma boa vítima da maldição do Oscar.

Debora Hegedus disse...

Eu detestei esse filme.