segunda-feira, outubro 15, 2007

#74 - O vampiro de Düsseldorf (M), de Fritz Lang


Um dos filmes indicados na lista dos 25 mais perigosos, "O vampiro de Düsseldorf" não é uma obra sobrenatural. Inclusive, não há criaturas dentuças sugando o sangue de incautas jovens desacordadas. Trata-se de uma história baseada em fatos reais sobre um infanticida que "assombrou" Düsseldorf e pôs toda a população da cidade (policiais, bandidos, mendigos, crianças e suas mães, é claro) em estado de alerta.

Fritz Lang já era um cineasta conhecido pelo memorável "Metropolis", um marco do cinema expressionista que influencia até hoje uma penca de filmes de ficção científica. Porém, "O vampiro de Düsseldorf" o coroou como o grande realizador do cinema alemão, o que lhe rendeu um convite para dirigir os filmes de propaganda nazista - convite esse que ele recusou.

Um dos grandes trunfos dessa obra de suspense psicológico é o uso do som. Lang mostrou-se muito à frente de seus contemporâneos ao estabelecer uma perfeita simbiose entre imagem e ruído. A trilha sonora funciona como contraponto, contribuindo para aumentar o clima soturno e escuro da grife expressionista. E, aproveitando ao máximo a nova técnica, é justamente o som que costura e resolve a trama. O infanticida, interpretado magistralmente por Peter Lorre, ganha reforço em seus traços esquizofrênicos ao assobiar uma música do compositor Edvard Grieg.

Aliás, Lorre merece destaque. Apesar de seu personagem só crescer mesmo no terço final do filme, sua caracterização é realmente assombrosa. De olhos esbugalhados, o perturbado assassino de crianças é assustador como um vampiro. E, de fato, o ator era perturbado também por trás das câmeras. Lorre sofreu uma séria crise psíquica, passando por diversos tratamentos. Viciado em heroína, morreu de overdose.

Definitivamente, vampiros são menos assustadores do que infanticidas.

4 comentários:

Kamila disse...

Dudu, nunca assisti a este filme de maneira completa. Peguei algumas cenas, e só. Mas, já ouvi falar muito sobre ele, sobre a maneira como ele constrói o suspense psicológico, sobre o fato de que o M foi um dos primeiros grandes vilões do cinema.

Parabéns pelo texto, que está ótimo!

Museu do Cinema disse...

Esmiuçaste muito bem o filme, num post muito bem escrito Dudu, eu vi recentemente Metropolis, numa cópia restaurada de internet, e fiquei impressionado com a capacidade de criação de Lang.

Não vi esse filme, fiquei até curioso, alias, saiu em DVD?

Andressa Cangussú disse...

Nossa!
Fiquei curiosa! Mesmo vc não tendo gostado, me deu uma super vontade de ver!
Gostei do blog e do estilo impressionista das críticas!

Passa lá no www.cinematografo21.blogspot.com

abraços

Rafael Carvalho disse...

M é um dos poucos filmes do expressionismo alemão que eu assisti, mas foi suficiente para comprovar a competência e o ótimo trabalho do Fritz Lang. É uma experiência instigante e louca, com um suspense psicológico de alto nível. E como vc falou, a utilização do som é uma acahado, funciona maravilhosamente bem na história.