segunda-feira, outubro 15, 2007

#73 - Free zone, de Amos Gitai


De cara, logo na abertura, uma cena para odiar ou amar o filme. A bela e competente Natalie Portman chora até borrar a maquiagem, ao som de uma cantiga popular israelense. A cena dura longos minutos. Belíssimos longos minutos.

Amos Gitai é um diretor judeu que conseguiu a proeza de rodar pela primeira vez um filme israelense, esse em questão, na Jordânia. Ele conta a história de três mulheres de etnias e religiões diferentes que se encontram em uma área de livre comércio, a tal free zone. Lá, há uma espécie de acordo tácito que mantém a paz. Porém, os problemas que cada uma vive colocam em xeque suas crenças.

Enquanto o filme se desenrola, flash backs contam a história de cada um dos personagens envolvidos. A forma como são inseridos, em justaposição de imagens, transforma a narrativa em um mosaico que aos poucos vai ganhando significado. Como se, em doses homeopáticas, os motivos que levam os personagens à tal free zone fossem ficando mais claros. Paisagens insólitas vão se combinando a um roteiro cuja ação foge do convencional.

"Free zone" é um filme lento, contemplativo, cujo fim não justifica o início, nem o meio. Por isso, quem vai esperando por respostas ou entretenimento fácil costuma odiá-lo. Porém, quem estiver disposto a embarcar na viagem de Gitai pode ter uma experiência cinematográfica realmente diferente.

2 comentários:

Rogerio Scheidemantel disse...

De que ano é esse filme Dudu?
Tem nas locadoras? Nunca ouvi falar nao, mas queria conferir.

Kamila disse...

Conheço pouco da obra do Amos Gitai, mas me lembro de ter assistido ao trailer de "Free Zone", o qual não me deixou com vontade de assistir ao filme.