sábado, setembro 29, 2007

#64 - Cartola, música para os olhos, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda


Após assistir a esse documentário sobre o gênio Cartola, minhas convicções ficaram mais fortes. O negro americano está para o jazz assim como o negro brasileiro está para o samba. Vou além: Cole Porter está para o jazz assim como Cartola está para o samba. E doente da cabeça não é quem não gosta de samba, e sim quem nunca pelo menos se deu a oportunidade de ouvir a cadência harmoniosa e melódica do saudoso fundador da Estação Primeira da Mangueira.

Porém, vou parar com os elogios. Afinal de contas, o objeto de resenha é o filme, que está muito aquém da obra de Cartola. Em uma hora e meia de projeção, somos bombardeados por diversos depoimentos sobre diversos acontecimentos da vida do sambista, sem nenhuma coesão, a não ser uma certa temporalidade. O filme abre com imagens de arquivo mostrando o enterro de Cartola e segue da infância até a velhice reclusa em Jacarepaguá.

O que o documentário faz bem é dar destaque ao requinte e à complexidade harmônica que o samba feito nessa época carregava em suas composições, inclusive nas letras, poesia pura. Também é muito bacana ver algumas imagens de gente que eu gosto muito, como Nelson Sargento, Pixinguinha, Zé Keti e Jacob do Bandolim. De quebra, uma interpretação magistral de Elizeth Cardoso (a nossa Ella Fitzgerald, como diz minha mulher) e um depoimento do meu mestre e guru literário Sérgio Porto.

Falta coesão e ritmo. Mas sobra aquela vontade de batucar enquanto os sambas de Cartola vão sendo tocados. Samba de verdade.

PS: resenha escrita ao som de "Alvorada".

6 comentários:

Museu do Cinema disse...

Verdadeiras reliquias por aqui, parabéns, depois volto com mais tranquilidade para ver tudo!

Dani disse...

samba de verdade....

bj´s

Ramon Scheidemantel disse...

Interessante. Filmes que contam um pedacinho de nossa história.
Porém não é um filme fácil de se encontrar em qualquer locadora, não?

Rafael Carvalho disse...

Vi o filme recentemente e o que mais me chamou a atenção é a quantidade de material de arquivo que foi resgata pelos realizadores. Só tem gente de alto nível como você apontou. E sabe que no início me senti um pouco perdido no desenrolar da história, mas depois vai ficando mais claro. Não me pareceu um documentário para dar conta da história de vida desse grande sambista (seria muita pretensão), mas mais uma forma de conhecermos melhor o cara. Gostei muito.

moacir disse...

Oie!!
Sai do cinema,pensando que é melhor ouvir Cartola.

Rodrigo disse...

Achei um filme magistral! Isso, para quem gosta, além de samba, de cinema. Som e imagens destribuidos nas camadas do tempo... O fato de estar longe de uma abordagem jornalistica ainda torna o filme maior, mais livre. No meu ponto de vista: montagem espetacular! Uma geração Cartola...
Viva a poesia cinematográfica que é um filme de Cartola.