domingo, setembro 30, 2007

#66 - O céu de Suely, de Karim Aïnouz


Como é bom perceber que o cinema brasileiro tem identidade e linguagem próprias. Um tempo diferente, com diálogos que mais parecem conversas e uma câmera tranqüila, que fica perambulando pelo meio de personagens cheias de vida e conflitos.

Karim Aïnouz é tido como um diretor que extrai até a última gota de suor dos seus dirigidos. Elenco é um dos pontos fortes deste filme. Para começar, foi feita uma preparação corporal extenuante com todos os atores, que foram imersos na pequena e pacata cidade do agreste onde a história é ambientada. Usavam roupas como os locais, comiam com os locais, falavam como os locais e, não demorou muito, eram confundidos com locais. Prova disso era a incessante pergunta sobre quando os atores do "tal filme" iam chegar na cidade.

Para dar ainda mais veracidade ao roteiro, Hermila Guedes interpreta Hermila, Maria Menezes interpreta Maria, João Miguel interpreta João e assim todos passam a ter seus nomes confundidos com seus papéis. É como se observássemos uma história real, quase como um documentário. E olha que a história nem é tão nova assim: uma jovem volta ao nordeste após tentar a vida em São Paulo, com filho no colo e sonhos de uma vida melhor. Na falta de dinheiro e perspectivas, acaba escolhendo caminhos tortuosos. O que difere essa história das tantas outras é a maneira como a liguagem cinematográfica é utilizada.

Um belíssimo filme, digno da boa prata da casa.

#65 - C.R.A.Z.Y., de Jean-Marc Vallée


Eu quase nunca sigo recomendações cinematográficas de pessoas que não conheço. Resolvi abrir uma exceção após a jovem funcionária da locadora tentar me indicar uns dezessete filmes diferentes, dos quais um deveria completar a promoção de levar três e pagar apenas dois. Pela sua obstinação, acabei levando este título francês.

"C.R.A.Z.Y." é realmente um filme chato. O diretor Jean-Marc Vallée é até competente. Suas cenas são bem dirigidas, bem fotografadas, com planos muito bem escolhidos. A trilha sonora é outro destaque: foram gastos milhares de euros para pagar todos os direitos autorais das músicas do Pink Floyd, Rolling Stones e David Bowie - aliás, esta última é responsável por uma das poucas boas cenas do filme. Porém, nada disso segura o fraco e arrastado roteiro sobre um adolescente que cresce em meio a uma família cujo núcleo começa a ruir. Estão lá as drogas, o homossexualismo, a religião e todos os outros tabus da sociedade contemporânea. Um saco!

Eu não recomendo. Nem se trabalhasse em uma locadora e meu salário dependesse disso.

sábado, setembro 29, 2007

#64 - Cartola, música para os olhos, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda


Após assistir a esse documentário sobre o gênio Cartola, minhas convicções ficaram mais fortes. O negro americano está para o jazz assim como o negro brasileiro está para o samba. Vou além: Cole Porter está para o jazz assim como Cartola está para o samba. E doente da cabeça não é quem não gosta de samba, e sim quem nunca pelo menos se deu a oportunidade de ouvir a cadência harmoniosa e melódica do saudoso fundador da Estação Primeira da Mangueira.

Porém, vou parar com os elogios. Afinal de contas, o objeto de resenha é o filme, que está muito aquém da obra de Cartola. Em uma hora e meia de projeção, somos bombardeados por diversos depoimentos sobre diversos acontecimentos da vida do sambista, sem nenhuma coesão, a não ser uma certa temporalidade. O filme abre com imagens de arquivo mostrando o enterro de Cartola e segue da infância até a velhice reclusa em Jacarepaguá.

O que o documentário faz bem é dar destaque ao requinte e à complexidade harmônica que o samba feito nessa época carregava em suas composições, inclusive nas letras, poesia pura. Também é muito bacana ver algumas imagens de gente que eu gosto muito, como Nelson Sargento, Pixinguinha, Zé Keti e Jacob do Bandolim. De quebra, uma interpretação magistral de Elizeth Cardoso (a nossa Ella Fitzgerald, como diz minha mulher) e um depoimento do meu mestre e guru literário Sérgio Porto.

Falta coesão e ritmo. Mas sobra aquela vontade de batucar enquanto os sambas de Cartola vão sendo tocados. Samba de verdade.

PS: resenha escrita ao som de "Alvorada".

segunda-feira, setembro 24, 2007

#63 - A pequena loja dos horrores (The little shop of horrors), de Roger Corman


Dia desses fui ao supermercado comprar água sanitária, alvejante, sabão em pó e desentupidor de ralo (porque nenhuma casa está completa sem um bom desentupidor de ralo). No caminho até o caixa, lá estava aquele box enorme cheio de DVDs a preço de banana. Um deles era este clássico do terror, ou da comédia, tanto faz, "A pequena loja dos horrores". Pobres desavisados que deixaram essa pérola ali jogada, abandonada. Sorte a minha.

Feito em 1960, fotografado em preto e branco e filmado em apenas dois dias, essa realização é um dos marcos dos filmes de humor negro, ou do que mais tarde convencionou-se chamar de "terrir". Tudo isso a cargo da direção competente de Corman, experiente, com mais de 350 filmes produzidos no currículo. Partindo de um argumento bizarro com diversas situações insólitas, testemunhamos uma pequena floricultura fadada à bancarrota vislumbrar uma reviravolta em suas economias quando um funcionário desajeitado, Seymour, cria uma planta diferente. O único problema é alimentá-la, pois o cardápio é composto de gente! À medida que o apetite do vegetal monstruoso vai crescendo, crescem também os problemas.

Não só o roteiro, mas também o cenário e os figurinos se assemelham muito às screwball comedys das décadas de 30 e 40. Em pouco mais de 70 minutos, há uma avalanche de piadas ligeiras e absurdas. Os personagens são outro ponto forte: uma senhora que todo dia compra flores para um funeral diferente; um sujeito que come flores; uma prostituta onipresente; um dentista sádico; e um jovem impostor com cara de maluco, interpretado por quem mais entende desse tipo de caracterização, Jack Nicholson.

Mais tarde, devido ao grande sucesso, o filme virou um musical na Broadway - caminho que, normalmente, a maioria das produções faz de forma inversa. Ganhou também uma refilmagem, em 1986, com Rick Moranis no papel de Seymour e direção de Frank Oz, o cara que dirigiu o filme dos Muppets.

Não se engane, prefira em preto e branco!

sexta-feira, setembro 21, 2007

#62 - Guerreiros da noite (The Warriors), de Walter Hill


Se você foi adolescente nos anos 80, provavelmente já deve ter escutado falar deste filme. Porém, vê-lo, só se você foi daqueles moleques rebeldes que ia dormir tarde, mesmo tendo aula de manhã cedo, e já era adepto da Sessão Corujão. Vez em quando, a madrugada televisiva nos presenteava com este clássico, "Guerreiros da noite"!

Revê-lo foi deliciosamente nostálgico. Lembrava-me de pouca coisa desta produção de 1979, mas se tem um detalhe do qual nunca esqueci, é o figurino. Cada gangue, e são várias delas, se veste de uma determinada maneira, todas uniformizadas, como manda o código dos brigões - da mesma forma como é feito em guerras de verdade. A minha preferida é a Baseball Furies: uns sujeitos com uniformes do esporte ianque, com a cara pintada e munidos de tacos como armas. E não por acaso, é uma das gangues preferidas do diretor Walter Hill, o que se explica por sua paixão pelo baseball e pelo Kiss.

A história das famosas gangues de Nova York é aqui contada pelo ponto de vista dos tais Warriors, os encrenqueiros de Coney Island - lugar que até hoje é um ponto de resistência de uma certa cultura underground. Eles vão até uma convenção de gangues, distante 150 quilômetros de casa, e são acusados de assassinar uma espécie de líder, quase um Mussolini. Como nas grandes passagens históricas, o incidente desencadeia uma guerra: todos contra os Warriors, que precisam voltar para casa sãos e salvos.

Na época em que o filme foi feito, havia em Coney Island uma gangue oficial, os Homicides. Que, inclusive, não gostaram muito de ver aquele figurino todo colorido desfilando por sua área. Aliás, os bastidores de "Guerreiros da noite" são uma atração à parte. Durante as filmagens, feitas de madrugada e ao ar livre, a quantidade de gente curiosa que se amontoava para acompanhar as cenas era tanta, que muitas gravações tiveram que ser interrompidas por causa do barulho. Havia também ameaças por parte de gangues verdadeiras aos atores. Solução encontrada: os Mongrels, gangue local, fizeram a "proteção" pela bagatela de US$500,00. Mesmo assim, durante um intervalo para o almoço, grande parte do equipamento foi danificado por vândalos. E não pára por aí! Em uma das primeiras cenas, quando os Warriors enfrentam os Orphans, a filmagem foi interrompida por causa de uma perseguição entre policiais e membros de uma gangue de verdade.

Ainda que "Guerreiros da noite" seja do final da década de 70, continua surpreendente. Roteiro amarrado e criativo, edição rápida, trilha sonora eficiente e bons atores. O clima "madrugada" que ambienta a história é perfeito, com ruas molhadas pelo sereno, vagões de metrô vazios e iluminação pública tosca.

O filme se tornou tão cultuado que existe até um jogo homônimo para Playstation. Dá vontade de comprar só para poder jogar um pouco. Na pele dos Furies, claro!

quinta-feira, setembro 20, 2007

#61 - Familia Rodante, de Pablo Trapero


Uma família numerosa, com direito a avó, cunhado, bebê, tio, primo e até cachorro, todo mundo dentro de um pequeno e capenga motor home da década de 50 rodando pelas estradas da Argentina até a fronteira com o Brasil, rumo a uma festa de casamento. Não tem como ser uma viagem tranqüila.

O bom diretor Pablo Trapero, dos expoentes do novo cinema platino, faz uma viagem catártica mostrando os conflitos que, inevitavelmente, abalam os alicerces desta família rodante. Tem traição, sexo, dor de dente e discussões ásperas, tudo isso abordado de uma maneira contemplativa, sem exageros. A câmera, mais vouyer do que testemunha, abusa de planos fechados e closes, imprimindo a sensação de claustrofobia que uma viagem em família, sob essas condições, pode provocar.

A protagonista Emilia, matriarca que coordena a empreitada turística, é interpretada por Graciana Chironi, avó do diretor na vida real. Apesar do clima predominantemente depressivo do filme, é ela a responsável pelos momentos mais encantadores da história. Seu neto, anteriormente, já a utilizara em outra excelente realização, "O Bonaerense", que me supreendeu em um destes festivais internacionais do Rio, anos atrás. Conta a história de um homem que entra para a polícia de Buenos Aires. Como em "Família Rodante", partindo de uma premissa simples, há toda uma reflexão sobre os valores contemporâneos.

Não se deixe enganar se lhe disserem que trata-se de uma comédia. Se você chorar, pode ter certeza que não vai ser de rir.

domingo, setembro 16, 2007

#60 - Tenacious D, uma dupla infernal (Tenacious D in the pick of destiny), de Liam Lynch


Quer fazer aquele velho home theater que você comprou, em infindáveis parcelas, valer cada centavo? Então aumenta que isso aí é rock'n'roll!

Jack Black, que já mostrou ser dos melhores comediantes da nova safra do cinema, prova aqui ser um excelente músico. Junto ao parceiro Kyle Gass, ele conta a história de sua banda, a Tenacious D, em busca de uma palheta feita do dente do capeta que tem poderes para transformar qualquer um em astro do rock. O que se vê na tela, e que se escuta também, é uma sensacional e surpreendente ópera rock da melhor qualidade! Letras escatológicas, sexo (quer dizer, tentativas de sexo), drogas e muito rock'n'roll fazem parte do roteiro.

A direção é por conta do experiente Liam Lynch, que também é músico e teve a oportunidade de estudar em uma das mais famosas escolas de arte da Inglaterra, em Liverpool. O filme conta com uma abertura que certamente vai ser lembrada por muito tempo, com participações de Meat Loaf, veterano do gênero musical, e Ronnie James Dio, o eterno vocalista do Black Sabbath.

Ah, o desfecho também vai entrar para a história, com a participação de um diabo escolhido a dedo! Vale a pena tentar descobrir quem ele é....

Dica: fique até o final dos créditos!

#59 - Uma verdade inconveniente (An inconvenient truth), de Davis Guggenheim


Que os Estados Unidos são os maiores emissores de gases poluentes na atmosfera, que foram um dos dois únicos países a não assinar o Protocolo de Kyoto (o outro foi a Austrália, logo quem, que tem um enorme buraco na camada de ozônio bem acima de seu território) e que tentam empurrar artigos dizendo que o aquecimento global não é provado cientificamente, isso todos nós estamos carecas de saber.

O que preocupa é que muito pouco é feito e, mais que isso, muito pouco é cobrado de quem poderia fazer alguma coisa para salvar o planeta. Al Gore, na qualidade de ex-vice presidente de uma potência econômica que sempre cagou para políticas ambientais, resolveu usar seu discurso autorizado para promover ao redor do mundo uma espécie de palestra sobre o assunto.

Os dados que ele possui, os estudiosos que reuniu e o slide show que ele usa em suas apresentações são até convincentes. O problema é que, de repente, saímos da tal sala onde ocorre sua explanação sobre aquecimento global para planos em câmera lenta, com fotografia p&b, trilha sonora tristonha e uma narração emocionada sobre memórias de infância. É isso que irrita e que atrapalha o ritmo do filme. À cada conclusão de um tópico, a inevitável dúvida: espera lá, é sobre aquecimento global ou sobre Al Gore?

Por esse lado, é constrangedor - exatamente como a política estadunidense!

#58 - Febre de juventude (I wanna hold your hand), de Robert Zemeckis


Cantores sertanejos e pagodeiros precisam mesmo é agradecer aos Beatles por fundarem um estilo todo próprio de manifestação de apreço artístico por parte dos fãs: a histeria coletiva! Em "Febre de Juventude", um grupo de jovens idólatras do quarteto inglês resolve invadir o hotel onde eles estão hospedados, em Nova York, para uma apresentação no programa de Ed Sullivan (espécie de Flávio Cavalcanti ianque, sem quebra de discos).

O que é explorado nessa comédia é a tal febre que os FabFour causavam em seus fãs - e poderia até mudar o gênero do pronome para "suas", porque as histéricas mesmo eram as mulheres. A produção a cargo de Steven Spielberg e a direção de Robert Zemeckis, parceria que rendeu muitos frutos, garantem mais uma daquelas produções para toda a família.

Ao som de músicas que até a sua mãe curte, fica bem mais fácil de gostar desse filme. É leve, divertido e passa bem rápido. Os atores não eram, e nem seriam anos mais tarde, tão conhecidos do grande público, mas dão boa conta do recado! Algumas imagens de arquivo são utilizadas para ilustrar o que um beatlemaníaco era capaz por seus ídolos.

Assim como o rock dos Beatles, essa comédia não envelheceu. Iê iê iê!

domingo, setembro 09, 2007

#57 - A felicidade não se compra (It's a wonderful life), de Frank Capra


Sim, dois filmes de Frank Capra seguidos. Desta vez, trata-se de um conto de Natal - no melhor estilo filme-para-toda-a-família. "A felicidade não se compra", porém, foi referência para muitas produções de temática natalina, tanto no enredo como em seus efeitos visuais.

O roteiro conta a história de um sujeito que tem um banco e, repentinamente, por não se curvar aos interesses de um poderoso empresário, se vê à beira da falência. Deus escuta as preces das pessoas que vivem ao seu redor e envia um anjo para socorrê-lo. O protagonista começa a viver, então, um exercício de análise e autoconhecimento... às vésperas do Natal... Não soa familiar?

Na parte cenográfica, a neve nunca mais foi a mesma nas telas depois de Frank Capra. Até então, o material usado como neve era pipoca. Porém, os diálogos precisavam ser dublados, uma vez que as pipocas faziam barulho ao caírem no chão. Como Capra queria utilizar som direto em todas as cenas, precisava se livrar de qualquer ruído. Logo, foi à pesquisa e encontrou um combinado de espuma, água e um material usado pelos bombeiros. Resultado: a neve perfeita!

Ao longo do filme, pode-se reconhecer cenas que serviram de inspiração para diversas produções, incluindo "Scrooged" e até mesmo "De volta para o futuro 2".

Podia ser piegas, mas não é. Clichê? Um pouco, ainda mais se você considerar o natal um clichê por si só. Porém, não tem rena de nariz vermelho e nem Papai Noel. Bom, né?

#56 - Aconteceu naquela noite (It happened one night), de Frank Capra


Frank Capra, sem dúvida nenhuma, sabe o que é preciso para se fazer uma boa comédia. Juntou Clark Gable, canastrão de primeira, e Claudette Colbert, ex-cônjuge de Chaplin, em um roteiro ágil e divertido, do que se convencionou chamar da primeira "screwball comedy" da história do cinema.

Porra, mas o que é "screwball comedy"? - você pode estar se perguntando. Explicação necessária: são comédias cujos temas beiram o absurdo, de diálogos rápidos que mantém uma cadência ágil, com piadas ligeiras e desfechos criativos.

Aqui, uma moça de família resolve fugir do pai para se casar com um playboy fútil e vazio. No meio do caminho, ela acaba se perdendo e encontra um jornalista desacreditado. Os dois partem juntos em uma viagem cheia de percalços e encrencas rumo à Nova York. O resto não preciso contar, né?

O filme ganhou os prêmios mais importantes do ano em que foi lançado. Até hoje consta sua presença na lista das 50 melhores comédias da história do cinema.

E aí, convencido a vê-lo?

#55 - Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer


Só pelo nome, já vale. Porém, é bem melhor que isso! Eis um dos mais cultuados road movies da história do cinema. Carros velozes, mulheres insinuantes e muita briga fazem desta produção de 1965 um ícone, com cenas e planos que se tornaram referência para toda uma geração de realizadores.

O narrador do filme avisa: prepare-se para violência em forma de mulher! Tura Satana, que interpreta Varla, a líder de uma gangue de dançarinas, é o capeta em forma de mulher. Má, de verdade. Com traços orientais, vestida toda de preto, cintura fina e seios fartamente decotados, ela comanda um plano para arrancar a fortuna de um velho paraplégico depravado que mora no meio do deserto. Ao lado de suas bem fornidas comparsas, uma mexicana e uma loira fatal, ela se mete em rachas e brigas - uma verdadeira saraivada de golpes de caratê, com direito a "iáááá"!

O filme conta com trilha sonora psicodélica e edição extremamente veloz. É possível notar que cineastas como Quentin Tarantino beberam na fonte do universo criado por Meyer. Ele mesmo dizia que um filme, para ser realmente bom, precisava de velocidade (faster), sexo (pussycat) e violência (kill). Difícil acertar a mão com estes ingredientes, mas ele conseguiu.

De fato: uma ode à violência que existe na mulher.

quinta-feira, setembro 06, 2007

#54 - Dummy, de Greg Pritikin


Comédias românticas, na maioria das vezes, metem medo. Medo do roteiro, da direção, das atuações e, principalmente, dos desfechos.

Nada de novo por aqui. Trata-se da história de um sujeito tímido, daqueles personagens clássicos, desajustado socialmente, que abandona seu emprego para realizar o sonho de ser ventríloquo. Ele se apaixona por sua conselheira profissional e, utilizando-se do discurso do seu boneco, passa a ganhar confiança. Ou seja, nada de novo mesmo. O que prendeu minha atenção em "Dummy" foi o elenco.

Aí você pode pensar: ah, sim, o elenco, com Adrien Brody (aquele que ganhou o Oscar com "O pianista"). Porém, quem rouba a cena é Milla Javovich, mesmo em um papel pra lá de coadjuvante. Foi ela quem me manteve de olhos grudados na tela até o fim, interpretando a líder de uma banda de rock que, repentinamente, muda o repertório para música judaica só para conseguir tocar em um casamento. Sensacional!

Podia ser pior, né? Imagina se fosse com a Julia Roberts?

domingo, setembro 02, 2007

#53 - Palhaços assassinos do espaço sideral (Killer Klowns from outer space), de Stephen Chiodo


Palhaços são personagens curiosos: fazem rir e ao mesmo tempo chorar. Causam repulsa e ao mesmo tempo encantamento. Se um palhaço por si só já é estranho, imagine uns vinte? E se eles forem alienígenas? E se a nave tiver a forma de uma lona de circo? E se eles usarem armas que envolvem as pessoas em casulos gigantes de algodão doce? Pois assim é este clássico sci-fi no melhor estilo B sobre o gênero circense!

Muito já se fez sobre palhaços no cinema. Para o bem (Fellini, no seu maravilhoso "Palhaços") e para o mal ("Clown house", um dos mais assustadores, deixa "It" no chinelo). O que ninguém havia feito até então era um meio termo completamente alucinado, com piadas de humor negro e pitadas de suspense.

Os responsáveis pela façanha, os Irmãos Chiodo, têm uma empresa especializada em efeitos especiais. De fato, efeitos não são o forte desta produção do final da década de 80. Porém, a cenografia e o figurino de referência aos palhaços são espetaculares. Eles são grandes, com cabelos esquisitos, dentes afiados e risadas malévolas, mas é impossível não cair na gargalhada com a clássica cena do confronto entre um deles e motoqueiros barra pesada.

Esta foi a única vez que um dos irmãos Chiodo assumiu a direção de um longa. Por isso, você pode até achar que os diálogos não são lá grandes coisas, que a trama tem uns buracos (e tem mesmo, há falha na montagem dos fotogramas...) e que os atores não rendem o esperado. Pois tudo isso só aumenta o status do filme como uma pérola do sci-fi B.

Palhaçada! E das boas!