domingo, agosto 26, 2007

#51 - Sacco e Vanzetti, de Giuliano Montaldo


Na capa deste filme, havia duas informações que prometiam um bom filme: trilha sonora composta por Ennio Morricone, grande mestre, e interpretação da mesma por Joan Baez, com seu timbre inconfundível. O que eu não sabia era que tratava-se de um filme de fundo político, que contava um dos episódios mais lamentáveis da justiça estadunidense.

Resumindo os fatos, é mais ou menos assim: a dupla que dá nome ao filme, italianos imigrantes e membros do movimento anarquista, é presa por porte de armas de fogo. Logo após, é acusada de um roubo seguido de homicídio. Em um dos julgamentos mais manipulados da história, os dois são condenados à cadeira elétrica por um crime que, sabidamente, não haviam cometido. Ou o delito seria, simplesmente, serem anarquistas?

O filme mistura imagens de arquivo com excelente ambientação e figurino. Podemos ver imagens documentacionais de mobilizações e passeatas ao redor do mundo para que Sacco e Vanzetti fossem libertados. O roteiro tem bastante ritmo, o que faz com que a ação não fique monótona. Inclusive, o advogado de defesa é um italiano de sangue quente, neurastênico e sarcástico, responsável por momentos impagáveis da trama.

Porém, o mais bacana é o fato do filme, ambientado nos Estados Unidos, ser falado em italiano! Comumente, devido à massificação hollywoodiana, o que acontece é o contrário. Nos acostumamos a ver italianos, franceses, africanos, asiáticos, seja lá que povo for, falando inglês impecável, por vezes até com sotaque britânico. Em "Sacco e Vanzetti", é extremamente divertido ver todos os estadunidenses, inclusive juízes e políticos, falando um italiano impecável, usando até mesmo o gestual típico. Tão divertido, que há uma cena que fica nonsense: um suposto italiano, que não entende inglês, precisa do auxílio de um tradutor para prestar depoimento. Resultado: o tradutor faz a pergunta em italiano, ouve a resposta em italiano e traduz à corte em italiano!

O filme foi proibido no Brasil devido ao regime militar. Pois agora, cabe a nós difundir esta história e mostrar como a luta pela liberdade precisa prevalecer. Sempre! Ainda mais em um país como o nosso, cheio de contradições e disparates sociais.

Um comentário:

A Especialista disse...

putz! deve ser sensacional!!
taí um estilo de filme que curto bastante!