segunda-feira, maio 28, 2007

#29 - Obrigado por fumar (Thank you for smoking), de Jason Reitman


Um filme sobre a indústria de cigarros em que não há nenhuma cena de fumantes, nem fumaça, nada disso. Pode? E se pode. A falta de baforada em "Obrigado por fumar" é quase proposital. Não se trata de um filme somente sobre a ardilosa indústria do cigarro. É, também, uma ode à retórica a oralidade e ao discurso autorizado.

Aaron Eckhart, o galã de filmes independentes estadounidenses, interpreta com maestria o falastrão Nick Naylor, vice-presidente e porta-voz de uma compnahia que estuda os males que o cigarro provoca nos fumantes. Ele participa de programas de TV, debates políticos e faz lobby segundo os interesses das indústrias de tabaco. A sua vida começa a mudar quando um senador, o excelente William H. Macy, começa uma cruzada contra o fumo.

O filme é bom porque não faz você ficar com raiva de cigarro. Nada disso. A idéia aqui é vibrar com os truques oratórios, quase sofistas, com os quais o protagonista defende sua empresa, mesmo sabendo que está errado. Não podia deixar de ser assim: os diálogos são maravilhosos! Principalmente os que envolvem Naylor e seu filho.

De quebra, Rob Lowe interpretando um representante de atores hollywoodianos, em uma atuação que lhe tomou apenas um dia de trabalho.

sexta-feira, maio 25, 2007

#28 - Às vezes eles voltam (Sometimes they come back), de Tom McLoughlin


Tv a cabo também tem o seu revés. Manhã dessas, de folga, frio pra caramba, zapeio a programação ao acordar e me deparo com um filme que está começando. E de terror/suspense. E havia me esquecido daquela mania que a gente tem, quando o filme não é alugado ou não é no cinema, de vê-lo até o fim, mesmo que não esteja agradando.

E assim é o exemplar aí de cima. Eu já desconfiava nos primeiros cinco minutos de trama, e vim a confirmar logo depois: sim, o filme é baseado em um conto de Stephen King (sempre ele...). E na maioria das vezes, isso não dá certo. Aqui também não deu.

A história é a mesma de vários contos de terror do Stephen King. Um garotinho vê o seu irmão mais velho sendo assassinado pelos valentões da escola que, por sua vez, morrem atingidos por um trem. Logo, como era de se esperar, ele cresce atordoado com essa visão. Um dia, quando o tal garotinho já é adulto, adivinha o que acontece? Sim, eles voltam... Os valentões.

Há várias falhas no roteiro, que deixam buracos enormes no enredo. De repente, pessoas e objetos aparecem na trama, mudam os caminhos e interferem na explicação do sobrenatural. Vira uma mistureba incompreensível, que culmina, obviamente, em um desfecho irritantemente preguiçoso e desconexo.

As atuações são muito fracas. Nem parece que as pessoas estão realmente com medo dos valentões que voltaram.

E, tratando-se de um filme de terror, se elas não estão com medo, você ficaria ao assisti-lo?

#27 - Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa, de Roberto Farias


Tv a cabo tem dessas coisas. Tarde dessas, frio pra caramba, de folga, nada para fazer... e eis que zapeando a programação me deparo com este exemplar do antigo cinema brasileiro. Um clássico que mistura Jovem Guarda, fenícios, mitologia, formações rochosas e até samurais mágicos. Demais!

No roteiro, Roberto, Erasmo e Wanderléia vão atrás de um antigo tesouro guardado pelos fenícios. E aí, até chegarem lá, vão ter que provar que são bons de briga, de música, de volante e de malandragem. Tudo para dar errado. Mas é o Rei, ora bolas!

O filme conta com cenas produzidas em Israel, Portugal e Japão. Uma mega-produção que reunia os artistas que estavam no top das paradas naquela época. Tanto que foi um sucesso de bilheteria.

Imperdíveis são os números musicais, mesmo que você, assim como eu, deteste as músicas de Roberto Carlos. Mas vê-lo cantando "É preciso saber viver", do nada, mais pro final do filme, entre as sinuosas curvas da Avenida Niemeyer, pilotando um conversível, é muito bacana!

Falou, bicho!