segunda-feira, abril 02, 2007

#24 - O cheiro do ralo, de Heitor Dhalia


Tudo por causa de uma bunda. Uma bunda e um olho (esse aí do poster). Estes sãos os pontos de partida para uma viagem ao submundo de "O cheiro do ralo", que mostra exatamente esta vida esgotante que existe, sim, mas a gente prefere ignorar.

O melhor é que a história é contada usando humor. Sarcástico e ácido, mas ainda assim humor. E humor sobre perversão é sempre inusitado, ousado. Aqui, um rapaz que compra produtos de segunda mão precisa contornar um problema no banheiro do trabalho, que provoca um cheiro insuportável. Daí o título do filme. Daí a série de filosofias insólitas e situações esdrúxulas. Você sai do filme repetindo algumas das falas. Por exemplo:


"A vida é dura."

Aliás, o texto, os diálogos e as piadas tortas ao longo do filme são espetaculares. Selton Mello, dos melhores atores brasileiros na atualidade, consegue dar a sua personagem trejeitos extremamente humanos: sinceros e patéticos ao mesmo tempo. O resto do elenco também está perfeito, com tipos dos mais esquisitões.

A fotografia e a direção de arte não ficam para trás. É quase possível sentir o tal cheiro do ralo. É tudo meio amarronzado, cor de azulejo de banheiro público. As quinquilharias de segunda-mão compõem bem o resto do cenário, sublinhando o aspecto solitário e angustiante das pessoas que vendem seus pertences por mixaria, graças à necessidade.

Achei o desfecho do filme um pouco preguiçoso. Fiquei esperando um grandioso final, que não veio. Não tem problema, porque o resto é inteiramente maravilhoso.

2 comentários:

Jo disse...

clap, clap, clap!!! adorei!!
mesmo sendo dura, a vida, nos trás filmes como esse! graças!
Obrigada, dura vida.

Búfalo Suburbano disse...

Sim, "A vida é dura", mas é graças a pessoas como você é que podemos compreender alguns universos que estão bem a nossa frente, ainda bem que escolheu a mesma profissão que a minha e somos amigos, só assim posso desfrutar de toques geniais e bem escritos como esse sobre "O cheiro...". Até aqui, passei alguns dias lamentando-me e achando-me no fundo do poço da ignorância, vivia lamuriando por ai, pô preciso assistir esse filme de novo, acho que não captei.

Tá tudo aí, e vou além, esse texto poderia ser utilizado no verso da capa do dvd, é um complemento da obra.

Valeu Vulgo Dudu, mandou bem!

BS.