terça-feira, abril 10, 2007

#26 - A roda da fortuna (The Hudsucker proxy), Irmãos Coen


Este era o último título que faltava para poder dizer que os irmãos Coen nunca fizeram um filme meia-boca. Como toda unanimidade é burra, e como para toda regra há uma exceção, que a deles seja "O amor custa caro", que nem é ruim. Apenas não é espetacular feito os outros.

Em "Roda da fortuna" há tudo que um bom filme dos Coen deve ter: um bom roteiro, bons atores, bons diálogos, boa direção, boa direção de arte. Enfim, uma série de acertos para contar uma história muito interessante. Tim Robbins, novinho, interpreta Norville Barnes, um recém-formado administrador de empresa que é colocado à frente da presidência das indústrias Hudsucker logo após o suicídio do tal Sr. Hudsucker. Aliás, que cena incrível! Esta e uma outra, mais à frente, que nem vou contar aqui para não estragar o deleite alheio.

As situações insólitas, cômicas e bizarras vão aparecendo na tela, e aí é só alegria. Como é bom ver um filme rigorosamente bem feito, daqueles que não há como rotular, nem para colocar em uma prateleira pré-definida da locadora. É drama, comédia, suspense, ação e mais um pouco.

Destaque para Jennifer Jason Leigh, como a jornalista Amy Archer, vencedora de um Pulitzer que faz questão de lembrá-lo a toda hora, e Bruce Campbell, o cara de "Evil Dead", canastrão da melhor qualidade.

Obrigado, irmãos Coen!

segunda-feira, abril 02, 2007

#25 - Os garotos perdidos (The lost boys), de Joel Schumacher


Joel Schumacher é um dos diretores mais chatos que eu conheço. Dos diversos filmes que ele realizou, apenas dois se salvam. Um deles é "Um dia de fúria", com Michael Douglas. E o outro, é esse aí ao lado, clássico da Sessão da Tarde, ícone de uma geração, "Os garotos perdidos"- revisto agora em DVD duplo, com direito a documentário e making of.

Taí uma mistura que poderia dar errado: Schumacher, jovens e vampiros. Mas deu certo. Em grande parte pelo elenco, que reunia os prediletos da juventude do final dos anos 80: a dupla de moleques Corey (Feldman e Haim), Jason Patrick e o vilão, de sobrancelhas envezadas e cara de mau, Kiefer Sutherland.

O filme é recheado de clichês... mas e daí? É divertido!

A trilha sonora, a caracterização dos vampiros, a locação litorânea com parque de diversões e o clima de suspense valem a pena. E as referências também, entre elas: o cachorro da personagem de Corey Haim, um husky siberiano, que se chama Nanook, homenagem ao primeiro documentário da história do cinema; os irmãos caçadores de vampiros que se chamam Edgar e Allan, em alusão ao escritor Edgar Allan Poe.

Para ser visto e revisto, inclusive para ficar sabendo das curiosidades acerca do filme. Como por exemplo, essa aqui: uma seqüência chegou a ser escrita, mas nunca produzida. Ia se chamar "The lost girls".

#24 - O cheiro do ralo, de Heitor Dhalia


Tudo por causa de uma bunda. Uma bunda e um olho (esse aí do poster). Estes sãos os pontos de partida para uma viagem ao submundo de "O cheiro do ralo", que mostra exatamente esta vida esgotante que existe, sim, mas a gente prefere ignorar.

O melhor é que a história é contada usando humor. Sarcástico e ácido, mas ainda assim humor. E humor sobre perversão é sempre inusitado, ousado. Aqui, um rapaz que compra produtos de segunda mão precisa contornar um problema no banheiro do trabalho, que provoca um cheiro insuportável. Daí o título do filme. Daí a série de filosofias insólitas e situações esdrúxulas. Você sai do filme repetindo algumas das falas. Por exemplo:


"A vida é dura."

Aliás, o texto, os diálogos e as piadas tortas ao longo do filme são espetaculares. Selton Mello, dos melhores atores brasileiros na atualidade, consegue dar a sua personagem trejeitos extremamente humanos: sinceros e patéticos ao mesmo tempo. O resto do elenco também está perfeito, com tipos dos mais esquisitões.

A fotografia e a direção de arte não ficam para trás. É quase possível sentir o tal cheiro do ralo. É tudo meio amarronzado, cor de azulejo de banheiro público. As quinquilharias de segunda-mão compõem bem o resto do cenário, sublinhando o aspecto solitário e angustiante das pessoas que vendem seus pertences por mixaria, graças à necessidade.

Achei o desfecho do filme um pouco preguiçoso. Fiquei esperando um grandioso final, que não veio. Não tem problema, porque o resto é inteiramente maravilhoso.