quarta-feira, fevereiro 21, 2007

#17 - Enron: os mais espertos da sala (Enron: the smartest guys in the room), de Alex Gibney


O caso da Enron foi um escândalo que movimentou o mercado financeiro global. Eu me lembro dos noticiários aqui no Brasil, que davam conta de uma das maiores fraudes da história das corporações estadounidenses. Porém, não sabia que era tanta sujeira assim!

Também, o que esperar de um executivo que tem ligações com a família Bush? O sujeito se cerca dos piores tipos possíves. Agressivos, aguerridos. Inteligentes? Nem tanto assim, como mostra este documentário.

Tem de tudo: contas offshore, fraudes no balanço financeiro, informações privilegiadas e até blecautes forjados para que o preço das ações de energia subisse. Uma sujeirada só.

Um detalhe que me chamou a atenção. Ao final do filme, o dono da extinta Enron faz um pronunciamento dizendo que não pode ser responsabilizado pelos atos criminosos que aconteciam dentro de sua empresa, uma vez que "ele não sabia de nada". Hmm... Acho que já ouvi isso em algum lugar bem próximo...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

#16 - Napoleon Dynamite, de Jared Hess


Está escrito na lombada da caixa que o filme é uma comédia, apesar da recomendação para maiores de 14 anos por causa de violência e palavrões. A verdade é que "Napoleon Dynamite" entra no seleto hall de produções inrotuláveis. É divertido, sim. Mas é ácido também.

As feridas estão todas lá, expostas. Seja no figurino meio retrô, ultrapassado, fora de moda, ou nos diálogos surreais, banais, surpreendentes. A história de um nerd que sofre bulling dos colegas de colégio e é constantemente aviltado pela família igualmente esquizitona não é novidade alguma. O que este filme tem de diferente é o clima. A luz, a montagem, a trilha sonora repleta de flash house, as atuações e a irritante caracterização do excelente Jon Heder, que protagoniza o papel-título.

O mosaico de personagens é tão rico e saboroso que as piadas acabam ficando em segundo plano. Nota-se perfeitamente que é uma comédia, mas o riso fica meio contido. Inclusive na seqüência final, inesperada, ótima, que em outros filmes de temática igual rendeu risos contorcionistas e histeria coletiva.

Filmado em apenas 22 dias - como o cinema independente e de boas idéias deve ser - e apesar de ter cativado a platéia estadounidense, é diversão para poucos. Longe da nossa realidade. Excelente, mas para poucos.

sábado, fevereiro 17, 2007

#15 - Borat, de Larry Charles


O primeiro filme no cinema em 2007 vem tarde, em fevereiro. Isso prova que não é possível ser cinéfilo com a idade e as responsabilidades que eu tenho. Não há tempo hábil.

Vamos ao que interessa...
O nome do filme é tão grande que nem deu para escrevê-lo ali em cima. Em português, ficou assim: "Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América". No original, "Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan". O título já resume mais ou menos do que se trata o roteiro: um repórter do Cazaquistão que viaja aos EUA para "aprender" um pouco sobre o american way of life e, assim, melhorar a vida em seu país de origem.

O que acontece na tela é uma mistura de documentário fake com cenas reais de gente que acreditava que Sacha Baron Cohen, o ator inglês que interpreta Borat, era mesmo um repórter estrangeiro. Grosseirão, machista, tarado, anti-semita e com um sotaque sofrível, ele é capaz de causar incômodo e muito mal-estar por onde passa. O grande mérito: mostrar que os estadounidenses não precisam, e nem podem, se levar tão a sério.

O filme conta com uma das seqüências mais escatológicas e divertidas que já tive a oportunidade de ver. Aí, alguns vão perguntar: já viu "Saló" (Pier Paolo Pasolini)? Ou então: "já viu Pink Flamingos"(John Waters). Não tem como comparar. É ver para crer.

Borat virou um cult nos EUA e Europa. Humor afiado, diferente, que de tão extremo rendeu 91 telefonemas à polícia enquanto o filme estava sendo feito. Ou seja, vale muito a pena!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

#14 - Esse mundo é um hospício (Arsenic and old lace), de Frank Capra


Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a uma grande amiga, Mônica, que me emprestou este filme - um de seus favoritos.

Em segundo lugar, gostaria de dizer que quem deveria estar no hospício é o miserável que deu o título em português para este clássico. Francamente. O filme até fala de loucura e tem um sanatório lá no meio da história. Mas você alugaria um filme com esse nome se não soubesse que ele é estrelado por Cary Grant, dirigido por Frank Capra, adaptado de uma peça de teatro de grande sucesso e diversão do início ao fim?

Tratando-se de uma história construída para os palcos italianos, seria fácil fazer com que o roteiro caísse na monotonia. Aí entra a mão certeira e talentosa de Capra, que faz com que a ação cênica case perfeitamente com o cenário simples, dando ritmo ao filme e prendendo a atenção do espectador até o último segundo. As atuações estão espetaculares, com destaque a Cary Grant que, impressionantemente, considerava este um de seus piores trabalhos. Para não perder a piada: isso sim é maluco!

Nem vou contar do que se trata a narrativa, pois foi assim que este DVD chegou a minha mão. E foi uma experiência cinematográfica deliciosa.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

#13 - Porky's, de Bob Clark


Os primeiros peitinhos e pelos pubianos na televisão a gente nunca esquece. Muitos adolescentes como eu, nos idos da década de 80, acompanharam a saga de Pee Wee para conseguir transar.

Comprei, em uma dessas promoções, "Porky's" e sua continuação, ambos por 10 reais. Clássicos como este é bom ter em casa. Incontáveis madrugadas, eu sem sono, torcendo para que o Corujão mostrasse esse filme...

Mostrei-o todo feliz a minha conjuge que, como toda mulher, achou o filme sexista, entediante e bobo. Frustrante.

Porém, não subestime "Porky's"! Ele foi a maior renda do Canadá por 24 anos! E, nos Estados Unidos, a terceira maior renda do ano em que foi lançado, 1982.

Ah, uma dica: é muito mais divertido ver o filme dublado. Exatamente como era exibido nas madrugadas da TV.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

#12 - Pi, de Darren Aronofsky


Um filme que mistura matemática, remédios, psicose, mitologia judaica, religiosidade e bolsa de valores é, no mínimo, ousado. E "Pi" prova que mais vale uma boa idéia na cabeça do que um monte de efeitos especiais.

Aqui, o roteiro fala sobre um matemático que quando era criança olhou para o sol e, depois disso, nunca mais foi o mesmo. Provou ser um gênio da matemática ainda adolescente e mostrou aptidão para resolver seqüências matemáticas com espantosa habilidade. Ele busca compreender um número de 216 dígitos. E aí começa a encrenca. Ele é perseguido por grupos de investidores e judeus ortodoxos. Daí em diante, o que Darren Aronofsky consegue fazer com uma câmera digital e jogo de luz é assombrosamente incrível!

O cara sabe como ninguém filmar delírios psicóticos, haja visto "Requiém para um sonho". Aqui, em "Pi", as cenas são perturbadoras. Perturbadoras mesmo! A ótima edição e a trilha que abusa de picos agudos dão o clima certo.

Consta que o filme custou apenas US$60 mil. E foi vendido por US$ 1 milhão. Genial!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

#11 - Peões, de Eduardo Coutinho


Eduardo Coutinho é, sem dúvida, um patrimônio do cinedocumentário brasileiro. Dá gosto de ver seus filmes!

Com "Peões" não é diferente. O filme fala sobre os bastidores das lutas sindicais no fim da década de 70, começa da década de 80. Aqueles que estavam nas fotos e imagens onde Lula discursava. Lá no cantinho. Em quase hora e meia, vemos entrevistas desconcertantes, hilárias e até emocionantes com personagens extremamente interessantes. O talento de Coutinho se faz presente na maneira como os depoimentos são conduzidos.

O final é magistral, e só reforça a tese de que o segredo de um bom documentário é deixar a câmera ligada. Trabalhar com o inesperado.

Eu quero fazer um documentário!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

#10 - Muito além do Cidadão Kane (Beyond Citizen Kane), de Simon Hartog


Documentário famoso. Falar o quê? Eu sabia o que ia ver. É angustiante, ácido, assustador. Se o Danoninho vale por um bifinho, este filme vale por uma espetacular aula da história da televisão no Brasil.

Indispensável para jornalistas.

#9 - Ruas de fogo (Streets of fire), de Walter Hill


Diz o subtítulo tratar-se de uma fábula rock. De fato, há uma gangue de motoqueiros vestidos em couro, há um mocinho de barba mal-feita (e suspensórios!) que carrega uma carabina, brigões de plantão nos balcões de bares, uma cantora famosa e números musicais com decorações em neon. Mas nem tão rock assim, uma vez que a canção que abre "Ruas de fogo" era também a canção que abria o programa de Gugu Liberato.

Fato este que, de forma alguma, prejudica este clássico que embalou muitas tardes dos anos 80 e madrugadas dos anos 90. Afinal de contas, um filme que tem Willem Dafoe na flor da idade, com cara de mal, muito mal, jeito de mal e uma excelente atuação, não pode ser ruim. E, de quebra, Rick Moranis, o eterno cientista nerd que encolhe as pessoas, fazendo papel de um baixinho folgado e inescrupuloso.

De resto, é quele enredo que você já viu. Os malvados seqüestram a bela cantora/mocinha, que tem um rolo mal resolvido com o mocinho. Ele aceita resgatá-la e passa por uma série de pancadarias, explosões e fugas. Apenas o final do filme é um pouco diferente do que estes argumentos costumam ter.

Parece desanimador pelos parágrafos aí em cima? Não se deixe enganar. É diversão iconoclástica garantida!